Visita aberta assinala 20 anos de intervenção

No passado dia 21 de abril, o Mosteiro de São João de Tarouca abriu as portas das suas reservas arqueológicas. A iniciativa, que assinalou os 20 anos de reabilitação do Mosteiro de São João de Tarouca, contou com a presença de mais de meia centena de participantes que, pela primeira vez, puderam ver e saber mais sobre um conjunto de peças habitualmente longe do olhar público.

Feita na primeira pessoa pelo arqueólogo co-responsável pela intervenção, Luís Sebastian, a iniciativa surgiu ainda integrada no Ano Europeu do Património Cultural e nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

Entre telhas, peças utilitárias de faiança, utensílios de moagem de especiarias, azulejos, escacilhos (material constituído por lamelas de pequenas dimensões provenientes da fragmentação dos limites interiores dos azulejos, antes da sua aplicação), canalizações e até a peça que inspirou o logótipo da rede de monumentos Vale do Varosa, tudo foi motivo para uma viagem no tempo, até uma das maiores escavações arqueológicas em território nacional.

Entre as muitas curiosidades, factos históricos e científicos partilhados, fica aquele que há 20 anos seria e continua a ser um achado único no mundo: o anel de oração encontrado nos alicerces do mosteiro, especificamente na Sala do Capítulo, o espaço mais importante logo depois da igreja, sinónimo de um ritual de esconjuro e sagração do espaço de construção que vai acolher o complexo monástico e toda a vivência a ele associada.

Uma das maiores escavações em território nacional, que decorreu entre 1998 e 2007, viria também a estar na génese do hoje multipremiado projeto Vale do Varosa que, além de integrar o Mosteiro de São João de Tarouca, integra numa primeira fase o também cisterciense Mosteiro de Santa Maria de Salzedas e o convento franciscano de Santo António de Ferreirim. Em abril de 2014 outros monumentos se juntaram ao projeto: a Ponte Fortificada de Ucanha e a Capela de São Pedro de Balsemão.

Desde 2016 a funcionar em pleno, a rede de monumentos Vale do Varosa pretende afirmar a região como destino cultural de referência, ao fazer emergir no contexto duriense um conjunto de monumentos classificados que, no caso dos mosteiros cistercienses, foram mesmo uma peça fundamental na excelência reconhecida ao Alto Douro Vinhateiro desde 2001 como Património da Humanidade.

A visita aberta constituiu uma oportunidade única de reviver 20 anos de intervenção e reabilitação de um mosteiro extinto em 1834 e que viu a igreja ser convertida em igreja paroquial e as dependências monásticas vendidas em hasta pública e os edifícios explorados como pedreira até aos inícios do século XX.