Evento inédito no Mosteiro de São João de Tarouca. Inscrições até 23 de julho!

No Ano Europeu do Património Cultural, o Museu de Lamego e o projeto Vale do Varosa propõem um acontecimento singular, a reconstituição histórica da leitura da carta de São Bernardo da Claraval ao abade Guilherme, na ruína da Sala do Capítulo daquele que foi o primeiro mosteiro cisterciense a ser construído em território português. No próximo dia 28 de julho, o Mosteiro de São João de Tarouca vai ser palco de um momento único, em mais de 800 anos de História… As inscrições encerram a 23 de julho.

Até agora nunca apresentado cenicamente, tratando-se por isso de uma estreia, este é um projeto inédito que recria o momento da leitura da “Apologia para Guilherme”, texto antiquíssimo, quase milenar, que no século XII foi lido em todos os mosteiros cistercienses.

São Bernardo, principal impulsionador da Ordem de Cister, cuja importância foi fundamental na formação e consolidação de Portugal enquanto nação e figura cimeira da Europa medieval do século XII, expõe em meados do século, de forma epistolar, um texto que, por contra ponto à sua Ordem, detrata a Ordem de Cluny e que viria a ser lido em todos os mosteiros da Cister.

“Se à partida este tema nos possa parecer uma «bizantice» é pelo contrário uma magnífica reflexão sobre os homens, seus comportamentos, suas ambições, suas hipocrisias, suas mentiras, suas ambiguidades. Trata-se de um texto pleno de contemporaneidade e, nessa perspetiva, podemos considerá-lo um clássico, um opúsculo fundamental na compreensão do ideal monástico medievo”, como assinala o Teatro Solo, parceiro neste projeto.

Na recriação da leitura da carta a Guilherme na ruína da Sala do Capítulo do Mosteiro de São João de Tarouca será reconstituída, de forma o mais fiel possível, o modo como terá sido a leitura, algures no século XII. Iluminado por tochas e com a participação de “monges” professos e conversos, pretende-se criar um ambiente íntimo, visualmente depurado, “num misto de luz e sombra, num compromisso estético único que projeta o espaço no infinito…”.

No último sábado do mês de julho, numa iniciativa da Direção Regional de Cultura do Norte, Museu de Lamego e projeto Vale do Varosa, a partir das 21h30, há um encontro com palavras antigas, mas eternas, que vêm de longe. O evento começa, no entanto, bem antes, quando forem 16h30, com uma visita a todo o complexo monástico de São João de Tarouca, incluindo ainda uma ceia monástica na Casa do Paço (Tarouca). Os participantes terão igualmente acesso ao Museu de Lamego e restante rede de monumentos Vale do Varosa, durante todo o fim de semana, através da oferta de um cartão visita.

As inscrições, obrigatórias, decorrem até ao dia 23 de julho AQUI.

 

PROGRAMA COMPLETO [MOSTEIRO DE SÃO JOÃO DE TAROUCA      N 4059’ 41’’     W 7 o 44’ 48’’]

| 16h30 VISITA ao Mosteiro de São João de Tarouca

| 19h00 JANTAR na Casa do Paço

| 21h30 APOLOGIA PARA GUILHERME na Sala do Capítulo do Mosteiro de São João de Tarouca

 

Bernardo de Claraval e Guilherme

Guilherme foi abade do Mosteiro de Cluny, casa mãe da Ordem Cluniacense. A Ordem Cluniacense resultou de uma reforma da Ordem Beneditina, da qual, por sua vez, saiu a reforma de Cister. No século XII a Ordem de Cluny teve um papel de grande poder e influência quer espiritual quer temporal em toda a Europa, tendo a jovem reforma cisterciense tido em Cluny o seu maior entrave. Apesar de a Ordem de Cister ter sido fundada em 1098 por Roberto de Molesme, originalmente monge de Cluny, apenas na primeira metade de século XII teve em São Bernardo, abade de Claraval, o seu grande ideólogo, definindo a ideologia, espiritualidade e estética de Cister em contraposição a Cluny, primando a diferença pelo retorno à simplicidade e austeridade original da Regra de São Bento. Esta afirmação em relação a Cluny foi sobretudo firmada em várias cartas que São Bernardo escreveu a Guilherme, nas quais, criticando a opulência de Cluny e os seus desvios em relação à regra original de São Bento, acabou por definir as principais linhas orientadoras da Ordem de Cister.