Invasões Francesas debatidas no Museu de Lamego

Na passada sexta-feira, dia 7 de dezembro, numa iniciativa conjunta entre Museu de Lamego e Teatro Ribeiro Conceição, as invasões francesas foram mote para uma série de atividades nestes dois equipamentos culturais.

No Museu de Lamego, pelas 19h00, foi proferida a palestra subordinada ao tema “As Invasões Francesas em Lamego – memória e realidade” por Isilda Monteiro, licenciada e mestre em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e doutorada em História pela Universidade Portucalense.

De forma clara e cativante, prendendo a atenção de todos os presentes, Isilda Monteiro começou por mencionar que as comemorações das invasões francesas, ocorridas no início do século XIX, nunca tiveram o devido destaque por parte das instâncias políticas, revelando até um certo desconforto. Chegou a afirmar que “as invasões francesas passaram ao lado da História, principalmente da História Nacional”.

A historiadora referiu ainda que a 1.ª invasão francesa foi um “momento muito doloroso para o povo português”, pois provocou uma grande instabilidade política. Nesta altura, a monarquia portuguesa encontrava-se profundamente abalada e sem capacidade de reação, acabando por ceder às tropas napoleónicas.

Outra situação que gerou “um sabor muito desagradável” foi a fuga da família real para o Brasil, originando no povo português um “sentimento que se está órfão”. Todavia, o monarca, D. João VI, antes de fugir, deixou a indicação que não deveria haver resistência, o exército francês deveria ser bem recebido por todos os portugueses, de forma a evitar males maiores.

Não havendo um exército português organizado e capaz de fazer frente às tropas napoleónicas, o povo teve aqui um papel importante e determinante, intervindo e defendendo o seu país. Contudo, não foi suficiente para evitar toda a destruição e terror que imperava.

Após ter contextualizado de um modo geral as invasões francesas e o seu impacto na vida do povo português, Isilda Monteiro destacou o caso da cidade de Lamego. Segundo a historiadora, Lamego teve sorte, conseguindo sobreviver à destruição francesa, graças a um homem. Esse homem era o Bispo de Lamego, D. João António Binet Píncio, que através do diálogo conseguiu, por um lado, apaziguar a população e, por outro, acalmar o inimigo.

Sabendo que o general francês Loison, também conhecido por “o maneta”, se aproximava da cidade, o Bispo foi ao seu encontro e convidou-o a pernoitar no Paço Episcopal, atualmente Museu de Lamego. Loison aceitou, mas o que se diz é que este ter-se-á sentido pouco seguro, por pensar tratar-se de uma armadilha. Fugiu de madrugada, em direção a Castro Daire, deixando para trás, no Paço Episcopal, dois baús cheios de pratas.

Para a História não ficou qualquer documento, apenas uma referência feita por um militar, que descreve ao pormenor o conteúdo dos baús. Apesar de registado apenas este episódio, Lamego assumiu mais tarde um papel importante na organização de milícias contra a presença francesa, como apontou a historiadora.

A sessão contou ainda com a presença do ator de “Linhas de Wellington”, Marcello Urgeghe, que convidou os participantes a assistirem à exibição do filme, no Teatro Ribeiro Conceição, depois de assinalar a qualidade da intervenção da Isilda Monteiro, como uma boa base para a compreensão do filme. 

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